A Polícia Judiciária, através da Diretoria do Norte, concluiu e remeteu ao Ministério Público, o inquérito no âmbito da investigação que levou, a 23 de abril de 2025, ao desmantelamento de uma organização criminosa transnacional que se dedicava à prática de crimes de associação criminosa, branqueamento, burla qualificada e falsificação de documentos.
Conforme Comunicado desta Polícia, divulgado na mesma data, o grupo operava através da constituição de sociedades comerciais fictícias e da abertura de contas bancárias em diversas instituições financeiras, utilizadas como contas de passagem para receção, fracionamento e dispersão de fundos de origem ilícita.
No decurso da operação foram detidas nove pessoas, com funções diferenciadas no seio da organização, incluindo coordenação, recrutamento e execução operacional, encontrando-se todos eles sujeitos à medida de coação de prisão preventiva.
Da análise financeira efetuada, foi possível apurar a circulação de montantes superiores a 3,5 milhões de euros, através das contas controladas pela organização, dos quais uma parte significativa teve origem em esquemas de burla por meio informático, designadamente nas modalidades conhecidas como CEO Fraud e Invoice Fraud.
No âmbito das medidas cautelares patrimoniais adotadas, foram congelados e apreendidos cerca de 418 mil euros, valores que apresentam forte conexão com a atividade criminosa em investigação.
Paralelamente, foram identificados 17 lesados, com prejuízos reclamados que ascendem a cerca de 1,4 milhões de euros, não se excluindo a existência de outras vítimas, atenta a dimensão e dispersão internacional da atividade desenvolvida.
A investigação evidenciou ainda a existência de uma estrutura hierarquizada e funcionalmente organizada, com divisão de tarefas entre os diversos intervenientes, incluindo um núcleo de direção sediado no estrangeiro, elementos responsáveis pela logística e financiamento, coordenadores intermédios e operacionais encarregues da execução material das operações bancárias e societárias.
Atenta a natureza transnacional da atividade criminosa, foi proposto ao Ministério Público o recurso a mecanismos de cooperação judiciária internacional, designadamente com as autoridades brasileiras e com jurisdições europeias.
Pela relevância dos factos apurados, pela dimensão financeira envolvida e pelo impacto na repressão da criminalidade económico-financeira organizada, esta investigação assumiu particular significado no quadro da atuação da Polícia Judiciária no combate ao crime organizado e ao branqueamento de capitais.
Ligação ao Comunicado referido:
https://www.policiajudiciaria.pt/nove-detidos-por-associacao-criminosa-branqueamento-burla-e-falsificacao
