Direção Nacional

A Polícia Judiciária, através da Unidade Nacional de Combate ao tráfico de Estupefacientes, em colaboração com a Autoridade Tributária e Aduaneira, deteve, no passado dia 21 de agosto, no Aeroporto Humberto Delgado, um cidadão estrangeiro, na posse de cerca de 12 quilos de uma substância que, após exame, se confirmou tratar-se de cocaína.

A deteção ocorreu no âmbito das ações de fiscalização e controlo desenvolvidas no Aeroporto de Lisboa, tendo sido identificada a presença da substância estupefaciente dissimulada no interior da bagagem transportada pelo suspeito.

No decurso das diligências realizadas, foram recolhidos indícios de que o detido poderá ter atuado como transportador de estupefacientes, vulgarmente designado por “mula”, a mando de terceiros e integrado numa estrutura criminosa dedicada ao tráfico de droga.

Este tipo de atuação constitui um dos métodos utilizados por organizações criminosas para proceder à introdução de estupefacientes em diferentes países. As pessoas recrutadas para efetuar o transporte são, frequentemente, abordadas através de promessas de compensações financeiras, oportunidades de trabalho ou outros benefícios, podendo desconhecer, numa fase inicial, a verdadeira natureza da operação em que são envolvidas.

A utilização de “mulas” permite às organizações criminosas reduzir a exposição dos seus elementos com funções de maior responsabilidade, colocando, em contrapartida, o transportador perante riscos particularmente elevados, quer ao nível da sua liberdade, quer da sua integridade física e segurança pessoal.

A Polícia Judiciária alerta, neste contexto, para os riscos associados ao transporte de bagagens, encomendas ou volumes pertencentes a terceiros, sobretudo quando o conteúdo não é integralmente conhecido pelo transportador. O facto de uma pessoa aceitar transportar uma bagagem a pedido de outra não a isenta de responsabilidade caso sejam encontrados estupefacientes ou outros bens ilícitos no seu interior.

Os elementos entretanto recolhidos apontam para que a substância apreendida se destinasse à introdução e posterior distribuição em território nacional, permanecendo em curso as diligências destinadas a determinar a extensão da atividade criminosa e a identificar os restantes intervenientes.

O detido, de 34 anos, foi presente a primeiro interrogatório judicial, tendo-lhe sido aplicada a medida coativa de prisão preventiva.

A investigação prossegue tendo em vista o completo esclarecimento dos factos e a identificação dos responsáveis pelo recrutamento, organização e financiamento da operação, bem como de outros eventuais intervenientes na cadeia de tráfico.

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