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Operação “Cinderela”: PJ faz a 11ª detenção

A Polícia Judiciária deteve, hoje, um cidadão estrangeiro, na sequência da operação “Cinderela”, realizada no passado dia 03 de março, cuja investigação incide sobre a atuação organizada e concertada de um grupo de pessoas, intervenientes em processos de insolvência e/ou de recuperação de empresas, no âmbito das suas funções profissionais.

Trata-se de um esquema criminoso que permitiu beneficiar os insolventes e viabilizar a apropriação de património em prejuízo dos reais credores.

Através de pessoas singulares e/ou coletivas da sua confiança, que se apresentavam com créditos fictícios e documentação forjada, garantiam o imediato reconhecimento de credores sem a devida comprovação da dívida.

Estes créditos fictícios, além de permitirem a apropriação imediata de bens móveis ou imóveis, asseguravam a aprovação dos planos de recuperação, para que os devedores pudessem tirar proveito dos seus efeitos, suspendendo a ação dos reais credores e dissipando o património existente.

Os factos indiciam que o agora detido interveio no esquema criminoso, dissipando ilegitimamente o património de empresas em processo de insolvência.

O mesmo encontra-se, assim, indiciado pela prática dos crimes de associação criminosa, corrupção, burla qualificada, insolvência dolosa, falsificação de documentos e branqueamento de capitais, que terão sido praticados, pelo menos, entre 2023 e 2025.

No âmbito da operação “Cinderela”, haviam sido já detidas 10 pessoas, entre os quais três ex-administradores de insolvência, um advogado e seis empresários e comerciantes.

Foram, também, executadas 18 buscas domiciliárias e não domiciliárias, que visaram residências, empresas e escritórios de advogados, tendo sido apreendida documentação, material informático, quantias monetárias, objetos de luxo e viaturas de gama alta, relacionados com a prática dos crimes em investigação.

O detido, com 56 anos, empresário de profissão, vai ser presente ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das medidas de coação tidas por adequadas.

O inquérito é titulado pelo DIAP Regional do Porto.